Durante a Peste Negra na Idade Média, as cidades estavam tentando
controlar as populações. Quando quisessem ter um filho, as pessoas deveriam
solicitar uma permissão ao monarca, que lhes entregava uma placa que deveria
colocar nas suas portas. Na
placa dizia "Fornication Under Consent of the King" (F.U.C.K.)
A condição inicial para o estabelecimento da peste foi a
invasão da Europa pelo rato preto indiano Rattus rattus (hoje
raro). O rato preto não trouxe a peste para a Europa, mas os seus hábitos mais
domesticados e mais próximos das pessoas criaram condições para a rápida
transmissão da doença. A sua substituição pelo Rattus
norvegicus, cinzento e muito mais tímido, foi certamente importante
no declínio das epidemias de peste na Europa a partir do século XVII.
A peste foi quase certamente disseminada
pelos mongóis,
que criaram um império na estepe no final do século XIII. Gêngis Khan com
as suas hordas de nômades mongóis conquistou toda a estepe da
Eurásia setentrional, da Ucrânia até
à Manchúria.
Teriam sido os mongóis que, após a sua conquista da China, foram infectados na
região a sul dos Himalaias pela peste, já que essa região alberga um dos
mais antigos reservatórios de roedores infectados endemicamente.
Os guerreiros mongóis teriam então
infectado as populações de roedores das planícies da Eurásia,
da Manchúria à Ucrânia,
cujos reservatórios de roedores infectados endemicamente existem hoje. Os ratos
pretos das cidades e do campo da Europa ocidental
não são suficientemente numerosos ou aglomerados em grandes comunidades para
serem afetados endemicamente, e terão sido afetados pela epidemia do mesmo modo
que as pessoas, morrendo em grandes quantidades até acabarem os indivíduos
suscetíveis, ocorrendo nova epidemia quando surgia uma nova geração. Logo terão
sido apenas os mediadores da infecção entre por um lado os mongóis e os
roedores infectados da sua estepe, e os europeus.
Deste modo explica-se que, ao contrário de
qualquer época precedente, a peste tenha surgido em quase todas as gerações na
Europa após o século XIV: estava estabelecido um reservatório
da infecção logo às suas portas, na Ucrânia (onde de fato foram as epidemias
mais frequentes, até à última que aí se limitou). Também é por esta razão
explicado o facto da peste ter atingido simultaneamente a Europa, a China e o
Médio Oriente, já que as caravanas da Rota da Seda facilmente
comunicaram a doença a estas regiões limítrofes da estepe.
Os efeitos demográficos, culturais e religiosos
foram imensuráveis. A população desceu em mais de um terço. Os sobreviventes do
povo e da pequena nobreza e burguesia provavelmente enriqueceram, por aumento
dos salários devido à diminuição da mão-de-obra e descida dos preços das terras
e das rendas. Os grandes proprietários rurais, dependentes totalmente do
trabalho alheio, sofreram algum declínio econômico. Daí se explica a
proclamação das leis do sumptuário, que proibiram
aos vilões usar roupas caras como os nobres. Não estando as divisões sociais
tão claras como antes a nível de propriedade, insistiu-se mais nos títulos.
As perseguições às minorias aumentaram
drasticamente, e especialmente os pogroms contra
os judeus. O facto de a maioria dos médicos judeus pouco poder fazer, e do
fanatismo religioso que se apossou das populações aterrorizadas, terá
contribuído para a acusação e perseguição a essa minoria. Além disso os
judeus tornaram-se suspeitos quando, devido às suas leis talmúdicas de
higiene (cumpridas rigorosamente), as suas vítimas foram em menor número que as
de comunidades cristãs. Houve mais de 150 massacres e dezenas de comunidades
judaicas menores foram exterminadas pelos motins dos cristãos, facilmente
incitados pelos priores locais, apesar das condenações pelos altos clérigos.
A perseguição dos judeus na Alemanha levou à sua emigração em massa para a Polónia e
para a Rússia,
onde mantiveram a língua alemã,
a língua iídiche ou ambas.
Os leprosos também foram perseguidos,
culpados como os judeus de disseminar a doença (a lepra naturalmente
não tem nenhuma relação com a peste). Vários movimentos religiosos surgiram do
terror que alimentava o misticismo e descredibilizava as formas religiosas mais
tradicionais. Os flagelantes que acreditavam na libertação pela auto martirização
e pela dor cresceram radicalmente em números, e foram no Sacro Império Romano-Germânico e
outros estados os principais responsáveis pela perseguição fanática aos judeus.
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