sexta-feira, 12 de abril de 2013

Feudalismo Medieval







            Durante o feudalismo medieval (IX a XIV), a propriedade rural pertencente ao senhor feudal era basicamente composta pelo castelo (habitação do senhor feudal), pela igreja (ou capela), pelas aldeias ou vilas camponesas, pelos bosques (chamados de campos abertos ou florestas), pelas terras cultiváveis e pelas áreas de pastagens.

            No feudalismo medieval europeu, o castelo era o cerne da vida econômica, social e política. As batalhas e conflitos durante o período medieval eram frequentes, em razão das possíveis vinganças entre os senhores feudais e por ataques de outras civilizações. Portanto, a principal função destinada aos castelos era a segurança da família do senhor feudal, da nobreza e dos camponeses. Os castelos constituíam enormes fortes, feitos com imensas muralhas, torres, fossos, calabouços e pontes levadiças. Geralmente eram construídos em terrenos elevados, o que facilitava a defesa contra ataques externos.


            Nos momentos de ataques de inimigos, todos os habitantes dos feudos, inclusive os servos, se refugiavam dentro dos castelos para proteção. A ponte levadiça era a única entrada que dava acesso ao interior do castelo. Os calabouços serviam como prisão, onde eram deixados os inimigos dos senhores feudais e os prisioneiros de guerra. Nas torres ficavam guardas vigiando permanentemente o castelo. Além disso, nos momentos de batalhas, os arqueiros e outros guerreiros se posicionavam nessas torres.

            A vida cotidiana dos nobres quase sempre foi dedicada às intensas caçadas nos bosques e florestas. Suas mulheres se dedicavam à vida familiar e doméstica, além de terem exercido o papel da procriação, fundamental para a hereditariedade familiar e a manutenção das posses do senhor feudal.

            No interior dos castelos eram realizados numerosos banquetes e diversas festas. No período do renascimento urbano e comercial (XI-XII), as muralhas dos castelos foram deslocadas, aumentando significativamente o espaço territorial dos castelos em razão do crescimento comercial e proliferação das feiras medievais.


           Existe uma controvérsia em relação ao conforto dos castelos: geralmente eles são demonstrados no cinema como locais confortáveis e luxuosos, no entanto alguns estudiosos discordam e afirmam que os castelos medievais possuíam muitos e enormes cômodos que geralmente eram frios e rústicos. Os esgotos, produzidos no castelo, eram jogados nos fossos, espécie de vala (buraco) que isolava as muralhas do castelo do restante do feudo, o que dificultava o acesso inimigo aos castelos.

             Atualmente, os castelos medievais preservados ostentam um grande valor simbólico e cultural. A grandiosidade das construções que formam os castelos contribui enormemente para demonstrar a sua imponência arquitetônica. Muitos castelos foram transformados, nos dias atuais, em hotéis, museus e pontos turísticos.




            O feudalismo consiste em um conjunto de práticas envolvendo questões de ordem econômica, social e política. Entre os séculos V e X, a Europa Ocidental sofreu uma série de transformações que possibilitaram o surgimento dessas novas maneiras de se pensar, agir e relacionar. De modo geral, a configuração do mundo feudal está vinculada a duas experiências históricas concomitantes: a crise do Império Romano e as Invasões Bárbaras.


            A economia sofreu uma retração das atividades comerciais, as moedas perderam seu espaço de circulação e a produção agrícola ganhara caráter subsistente. Nesse período, a crise do Império Romano tinha favorecido um processo de ruralização das populações que não mais podiam empreender atividades comerciais. Isso ocorreu em razão das constantes guerras promovidas pelas invasões bárbaras e a crise dos centros urbanos constituídos durante o auge da civilização clássica.

            A ruralização da economia também atingiu diretamente as classes sociais instituídas no interior de Roma. A antes abrangente classe de escravos e plebeus veio a compor, junto com os povos germânicos, uma classe campesina consolidada enquanto a principal força de trabalho dos feudos. Trabalhando em regime de servidão, um camponês estaria atrelado à vida rural devido às ameaças dos conflitos da Alta Idade Média e a relação pessoal instituída com a classe proprietária, ali representada pelo senhor feudal.


            O senhor feudal representaria a classe nobiliárquica detentora de terras. Divididos por diferentes títulos, um nobre poderia ser responsável desde a administração de um feudo até pela cobrança de taxas ou a proteção militar de uma determinada propriedade. A autoridade exercida pelo senhor feudal, na prática, era superior a dos reis, que não tinham poder de interferência direta sobre as regras e imposições de um senhor feudal no interior de suas propriedades. Portanto, assinalamos o feudalismo como um modelo promotor de um poder político descentralizado.


            Ao mesmo tempo em que a economia e as relações sociopolíticas se transformavam nesse período, não podemos nos esquecer da importância do papel da Igreja nesse contexto. O clero entraria em acordo com os reis e a nobreza com o intuito de expandir o ideário cristão. A conversão da classe nobiliárquica deu margens para que os clérigos interferissem nas questões políticas. Muitas vezes um rei ou um senhor feudal doava terras para a Igreja em sinal de sua devoção religiosa. Dessa forma, a Igreja também se tornou uma grande “senhora feudal”.

            No século X o feudalismo atingiu o seu auge tornando-se uma forma de organização vigente em boa parte do continente europeu. A partir do século seguinte, o aprimoramento das técnicas de produção agrícola e o crescimento populacional proporcionaram melhores condições para o reavivamento das atividades comerciais. Os centros urbanos voltaram a florescer e as populações saíram da estrutura hermética que marcou boa parte da Idade Média.

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